Homenagem a Raul Brandão

Homenagem a Raul Brandão

Na tarde de 5 de abril celebrámos e homenageámos Raul Brandão.
Fizemo-lo, numa primeira instância, com a colocação de uma placa no nº 44 do prédio da Rua de São Domingos à Lapa (morada onde Brandão faleceu) e, a seguir, na York House, na Rua das Janelas Verdes, com o lançamento da obra Raul Brandão e Lisboa, de Vasco Rosa, uma edição d’O Progresso da Foz.

Na ventosa tarde – um dia muito brandoniano, como disseram -, a placa em homenagem à última morada de Brandão foi inaugurada com as melodias do violino de Saúl Falcão a acompanhar as palavras do Presidente da Freguesia da Estrela, do Joaquim Pinto da Silva, d’O Progresso da Foz e da leitura da equipa da Cultura da Junta (Nádia e Celso), tudo sob a atenta presença dos moradores e seguidores do trabalho de Brandão.
A todos os que queiram passar na Rua de São Domingos à Lapa fica o convite para contemplarem a placa de homenagem e a prova tangível da nossa profunda admiração pela figura de Brandão.

Seguimos depois caminho em direção à Rua das Janelas Verdes, onde nos encontrámos para o lançamento do livro na York House.
Este Hotel foi, nos anos 20, “casa” de Raul Brandão e este simbólico espaço foi por isso escolhido para acolher esta iniciativa tão especial.
Maria João Alvarez e José Manuel Vasconcelos apresentaram e inauguraram a sessão, com a presença de Joaquim Pinto da Silva, Luís Newton e do autor Vasco Rosa.
Alexandre de Sousa agraciou-nos, também, com uma maravilhosa leitura de um texto de Raul Brandão.

Luís Newton referiu que a placa inaugurada “tem tanto de saudade como de compromisso. Raul Brandão é um dos mais importantes vultos da cultura nacional e tudo lhe faremos para que o lugar que merece lhe seja atribuído” (o que está ainda por ocorrer).
A Junta quis, assim, contribuir para esse objetivo.
Deixou um forte agradecimento aos moradores do número 44 da Rua de São Domingos à Lapa, que são parte integrante desta homenagem, e deixou um forte agradecimento a Vasco Rosa por se ter lembrado que poderia encontrar na Junta da Estrela um parceiro para reforçar os laços entre a Comunidade e a cultura que a determina e representa.
“Associar o homem ao seu legado: é também para isto que as autarquias devem existir, permitindo a fusão perfeita entre a vontade de quem quer manter à superfície a alma da cultura (neste caso, a literária), com a vontade de uma instituição pública e o envolvimento e carinho de toda a Comunidade”.
Este gesto traduz-se na disponibilidade em ocupar a fachada do prédio – onde habitam as memórias – para a colocação da placa, e representa a vontade do sonho em total união com o legado e envolvimento dos moradores do prédio (os impulsionadores que aceitaram fazer e ser parte da história).
Disse ainda ser muito importante prezar quem mantém a chama viva desta memória e deste génio literário, seja em Lisboa, no país e além fronteiras.
“Fazem falta mais pessoas como o Vasco Rosa, por nos fazerem parar e contemplar, recuperando a memória de Raul Brandão e a sua obra – é uma dádiva. Aqui, lembro que temos um legado para partilhar, todos, em comunidade. Na Estrela e em Lisboa temos de começar este caminho de redenção de aparentes 90 anos de esquecimento”.
Concluiu dizendo ser “um privilégio, nestas alturas, a posição de autarca”.
Foi uma tarde maravilhosamente passada.

Parabéns a todos os envolvidos e a todos os que possibilitaram estes dois momentos de homenagem a Raul Brandão.
Junta de Freguesia da Estrela; York House; O Progresso da Foz; Foz Literária; Vasco Rosa;Joaquim Pinto da Silva; Maria João Alvarez; José Manuel Vasconcelos;

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Raul Germano Brandão nasceu no Porto a 12 de Março de 1867 e veio a falecer na Lapa a 5 de Dezembro de 1930.
Foi um militar, jornalista e escritor português.
Húmus, de 1917, é considerada a sua obra-prima e ocupa um lugar de destaque na história da ficção portuguesa do século XX.
É também o autor da peça O Gebo e a Sombra (que Manoel de Oliveira levou ao cinema).
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